Entrevista com Sérgio Schalioni, comandante do 31° BPM (2)

A Barra da Tijuca ocupa 170 km² e tem uma população estimada de 400 mil habitantes. Qual logística operacional para o combate a criminalidade nesta área, considerando também a dificuldade da mobilidade urbana?

Schalioni: Nós temos atualmente uma estrutura centrada dentro 31° BPM.

O nosso objetivo, a nossa meta em 2015, é descentralizar justamente para tirar as companhias de dentro do batalhão. Queremos fazer efetivamente essa redistribuição para facilitar a atuação do policiamento. Com isto o policiamento ficará mais próximo da comunidade e também facilitará o contato das pessoas com os nossos policiais militares. Teremos uma companhia no Morro do Banco, uma na Cidade das Artes, outra que pretendemos colocar no Terreirão e finalmente uma ficará pendente a primeira companhia. Estamos buscando algum lugar no Jardim Oceânico ou na própria ABM. E isso é uma política do comando da corporação, “polícia de proximidade”. Já existe esse projeto piloto no 6° Batalhão e nós estamos antecipando e correndo atrás para nos adequarmos a essa nova mentalidade de “polícia de proximidade”.

Qual o seu maior desafio no 31° BPM?

Schalioni: Nós sempre tentamos atingir as metas estipuladas pela Secretaria de Segurança Pública, mas nem sempre isso é o suficiente. Às vezes estamos dentro da meta, mas existe um clamor público por alguma outra situação. Nós pretendemos atender a essa demanda para melhor fazer nosso papel na segurança pública.

Fale-nos sobre a descentralização. O que podemos entender sobre isso? Como ficarão os grupamentos?

Schalioni: Na Barra da Tijuca nós temos, hoje, duas companhias. As duas funcionam dentro do Batalhão. Agora, vejam só: nós estamos no Recreio. Meu próximo objetivo é a Segunda Companhia, que eu vou instalar na Cidade das Artes. Eu tenho o apoio do presidente do 31ºCCS, Cléo Pagliosa, e de outros segmentos da sociedade, para que consigamos fazer essa inauguração antes do Carnaval. Meu objetivo é atingir essa meta. Se eu tenho a localização das duas companhias da Barra da Tijuca no Recreio dos Bandeirantes, é necessário longos deslocamentos. Então, a partir do momento que coloque as companhias perto da área onde elas efetivamente atuarão, teremos agilidade nas operações. Iremos também melhorar o contato da população com os meus polícias e com o comando da companhia.

O que os moradores da Barra da Tijuca podem esperar de sua gestão?

Schalioni: Nós estamos tentando ao máximo a aproximação com a comunidade. Todo e-mail que recebo, toda mensagem que vem pelo WhatsApp, coloco o comando de companhia para fazer contato pessoalmente, para que essa demanda seja atendida da melhor maneira possível. O que estou tentando fazer é aproximar “ao máximo” a relação dos cidadãos da Barra da Tijuca, Recreio e dos bairros que são atendidos pelo batalhão com o 31° BPM.

Gostaríamos que o senhor falasse de uma grande esperança nossa, os policiais utilizando motos. São duplas de policiais que estão circulando pelas ruas do bairro, quase sempre engarrafadas. A Barra da Tijuca está totalmente engarrafada por causa de obras de infraestrutura e as patrulhas, os veículos, não conseguem alcançar os meliantes, que muitas vezes estão em motos.

Schalioni: Quando cheguei aqui e vi o cenário, a mancha criminal, constatamos que realmente na Avenida das Américas é onde tinha o maior número de roubo de rua. Não tinha como reduzir esses índices usando viaturas tradicionais, justamente pelo que se falou: congestionamento advindo das obras e o elevado número de veículos. Nós só tínhamos seis motos para essa imensidão que é a nossa área, de 170 km². Não tinha como agir. Conseguimos recuperar oito motos que estavam paradas, somando a essas seis. Temos agora quatorze motos. Coloquei-a no comando de um tenente, mapeamos todos os locais onde tinha o maior índice de ocorrências e essas motos tem esses quadrantes por onde elas circulam. Fazem baseamentos temporários dentre esse locais com o maior índice de criminalidade. Com a utilização dessas motos, já conseguimos obter um resultado imediato com várias prisões que antes a viaturas não conseguiam. Com as motos, perseguir o marginal é viável, é possível. As motos conseguem e tem uma maior probabilidade de êxito para efetuar as prisões.

Há um projeto na Barra da Tijuca de monitoramento por câmeras, elaborado pelo major Couto e que tem a divulgação e solicitação do Barra Alerta, através do seu presidente, Kleber Machado. A ABM também tem projeto de monitoramento para nosso entorno com destaque para toda a Av. Prefeito Dulcídio Cardoso até ao Parque das Rosas. Pedimos inclusive que os condomínios instalem câmeras voltadas para a rua (frente e nos 2 sentidos de circulação). O que o senhor acha do projeto e como a Polícia Militar pode nos ajudar na implantação?

Schalioni: Com certeza os projetos de monitoramento por câmeras é válido com relação a segurança pública. O exemplo da cidade de Volta Redonda, no sul fluminense, é relevante para isto. Recentemente teve uma reportagem mostrando que Volta Redonda depois da implantação das câmeras inteligentes está com estatística “zero” de roubo de veículos. Quando um veículo passa pela câmara, o sistema visualiza a placa e consegue detectar se ele é roubado ou não. Se constar do banco de dados como roubado, o sistema aciona um alarme e o cerco ao veículo é preparado. As pessoas sabem que se roubar um veiculo, o sistema será acionado, terá o fechamento das vias e o ladrão será preso. E isso, não só para o caso de veículo, mas dependendo da abrangência, para qualquer modalidade delituosa. A implantação de Sistema de Monitoramento com Câmeras é com certeza um ganho para sociedade e apoiamos.

Algo que gostaria de dizer aos associados da ABM?

Schalioni:Apesar do pouco tempo que estou à frente desse Batalhão, já deu para vocês perceberem que estou totalmente aberto ao relacionamento com a comunidade no geral, e em especial a ABM que está sempre com a gente, demonstrando que somos parceiros. Estamos à disposição e de portas abertas para a população aqui no 31º BPM, para qualquer necessidade.